sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Prisão de Nem não é ‘troféu de guerra’, diz Beltrame Ele afirmou que ocupação da Rocinha começa na madrugada de domingo. Secretário de Segurança do Rio disse que operação está 'bem delineada'.

Prisão de Nem não é ‘troféu de guerra’, diz Beltrame

Ele afirmou que ocupação da Rocinha começa na madrugada de domingo.
Secretário de Segurança do Rio disse que operação está 'bem delineada'.

Rosanne D'Agostino Do G1 RJ
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Para o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, a prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe do tráfico na Favela da Rocinha, não pode ser vista como “troféu de guerra”. Ele confirmou, na tarde desta sexta-feira (11), que a ocupação definitiva da Rocinha, na Zona Sul do Rio, terá início na madrugada deste domingo (13). Segundo o secretário, a decisão foi tomada durante a manhã, após reunião com entidades.
“Vai ser na madrugada de domingo, considerando que aquela área e outras estão cercadas, nós vamos implantar definitivamente a UPP da Rocinha”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a presença de policiais de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, na operação que culminou na prisão do traficante Nem, Beltrame afirmou que não tem conhecimento de quem foi a determinação. “Tem que perguntar para quem os chamou. Em segundo lugar, nós não podemos fazer da figura deste traficante um troféu de guerra. O troféu do Rio de Janeiro é o troféu da quebra de paradigma de território”, afirmou.
Nem foi preso na madrugada de quinta-feira (10), enquanto tentava fugir no porta-malas de um carro.
A entrevista foi concedida na sede do Batalhão da Polícia de Choque, no Estácio, onde Beltrame acompanhou o lançamento do projeto Garupa, formado por grupamentos de motociclistas do BP-Choque com treinamento especial para condução dos veículos em situações adversas.
Delação premiada
Sobre reportagem da edição desta sexta do jornal “O Globo”, que diz que o traficante, em depoimento à Polícia Federal, contou que metade de tudo o que arrecadava era gasto com propinas para policiais civis e militares, Beltrame disse que não descarta delação premiada para Nem.
“Isso é uma atitude que pode fazer ele vir a contribuir com a sociedade”, disse. “Eu faço votos de que essa pessoa revele o que ela sabe, tanto no desvio de conduta de agentes públicos, quanto na arquitetura do tráfico (...) Qualquer informação que essa pessoa possa vir a dar num depoimento, seja onde for, para quem for, pode sem dúvida nenhuma incitar e nos projetar para uma investigação onde a gente tenha resultados práticos”, completou o secretário.
Beltrame contouque Nem está sendo ouvido pela Corregedoria em Bangu. Ele disse ainda que cada ocupação exige uma estratégia diferente, ao ser questionado sobre o motivo de o cerco à Rocinha ter começado dias antes da ocupação. “Esta foi a estratégia para a Rocinha. A próxima nós vamos ter que ver”, explicou.
O secretário afirmou também que operação está muito bem delineada e que vários aspectos foram tratados, principalmente a segurança da população. “Nas UPPs anteriores não precisamos disparar nenhum tiro, e nós esperamos que seja isso que aconteça. Mas nós contamos com uma variável que nós não temos, que é a intenção do criminoso, do bandido que está lá dentro”, disse Beltrame.
Policiais devem ser presos, diz Cabral
Mais cedo, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que a polícia deve investigar as denúncias de pagamento de suborno a policiais feitas pelo traficante Nem na Zona Sul do Rio.
“O policial que aceita suborno é duplamente marginal. Além de trair a sociedade, ele mata os próprios colegas. Merecem penas muito duras mesmo”, disse Cabral. “Mas tenho certeza que a maioria absoluta é composta por pessoas como aquele sargento que fez a prisão [de Nem]”.
Ocupação da Rocinha
A favela da Zona Sul da cidade vive a expectativa de receber a 19ª Unidade Polícia Pacificadora (UPP) nos próximos dias, após a prisão de Nem. O traficante foi preso na madrugada de quinta-feira (10), após ser encontrado por policiais militares do Batalhão de Choque escondido no porta-mala de um carro, ao tentar fugir da comunidade. Os PMs encontraram no veículo cerca de R$ 180 mil e cinco celulares. Antes da prisão, os homens que ajudavam o traficante na fuga chegaram a oferecer R$ 1 milhão de suborno em troca da liberdade de Nem, segundo a polícia.
Em nota, a Secretaria de estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que Nem está em uma cela indivividual, teve o cabelo raspado, terá que usar uniforme, não tem direito a receber visitas e nem a tomar banho de sol, por enquanto.
A polícia mantém o cerco na Rocinha e faz operações em outros pontos do Rio de Janeiro em busca de integrantes da quadrilha de Nem.

PT anuncia candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de SP Jilmar Tatto e Carlos Zarattini anunciaram desistência de pré-candidatura. 'Já temos um candidato', afirmou presidente nacional do PT, Rui Falcão.

O Partido dos Trabalhadores anunciou nesta sexta-feira (11) que o ministro da Educação, Fernando Haddad, será o candidato da legenda na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2012.
"Já temos um candidato", disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão, logo após anunciar a desistência da pré-candidatura dos deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, que abriram mão da disputa em favor da unidade do partido em torno do nome do ministro da Educação.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, em encontro na sede nacional do PT que confirmou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo (Foto: Roney Domingos / G1)O ministro da Educação, Fernando Haddad, em encontro na sede nacional do PT que confirmou sua candidatura à Prefeitura de São Paulo (Foto: Roney Domingos / G1)
As desistências eliminam a necessidade de prévia no partido, uma vez que outros dois pré-candidatos, os senadores Marta Suplicy e Eduardo Suplicy também abriram mão da disputa. O nome de Haddad é defendido desde o início pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Vamos estabelecer conversas com os partidos aliados, vamos ver quais são as atuações possíveis dentro de nosso campo político. Vamos compor uma direção de campanha apta a competir em condições de vencer. Temos condições de vencer com a experiência acumulada já no terceiro mandato no governo federal. Agradeço em meu nome todos os que me apoiaram na primeira hora e todos os que estão me apoiando agora", disse o ministro.
Conforme Haddad, ainda não há data específica para saída do ministério. Segundo ele, isso dependerá de uma conversa que terá nos próximos dias com a presidente Dilma Rousseff.
O deputado Carlos Zarattini disse que a decisão em torno do nome de Haddad foi tomada após acordo. "Se constituiu em torno do Fernando uma maioria, não só política, mas numérica. Nós tivemos oportunidade de realizar o debate. Construímos uma massa crítica em torno do programa do PT", disse Zarattini.
"Conquistamos uma unidade muito forte no PT de São Paulo. (...) Grande abraço, desejo de vitória e de grande campanha ao Fernando", disse Zarattini.

Fernando Haddad completou que sua candidatura é fruto de uma "maioria estável".
"Para mim foi uma honra ter participado das caravanas do PT. Isso nos deu enorme oportunidade de conhecer o pensamento do paulistano filiado ao partido. As prévias não se realizarão em virtude daquilo que Zarattini mencionou. Não havia necessidade de, para fins formais, dar a público aquilo que já era conhecimento de todos, de que já existe uma maioria estável", disse Haddad.
Jilmar Tatto disse que Fernando Haddad tem "capacidade de articulador".
"Todos nós aprendemos muito nesse processo. Aprendi com os outros e também com o Fernando Haddad. Ele tem uma visão de cidade estratégica. O Fernando, com sua competência e capacidade de articulador, conseguiu uma maioria. Ir para a disputa iria esgarçar o partido. Só me resta abrir mão de disputar as prévias e unir forças", disse Jilmar Tatto.
O deputado Jilmar Tatto disse ainda que a candidatura de Haddad é "uma homenagem ao presidente Lula que está passando por um momento difícil".
José Serra
Em outro evento na capital paulista, o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) afirmou nesta sexta-feira (11) que não pretende disputar a prefeitura de São Paulo nas eleições do próximo ano porque seu foco é a "questão brasileira".
“Minhas questões são com relação ao Brasil. Estou focado é na questão brasileira, não municipal”, disse Serra após negar intesse na disputa. Ele falou sobre o tema após a cerimônia de posse do cardiologista Roberto Kalil Filho como professor titular do Departamento de Cardiopneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A presidente Dilma Rousseff também compareceu ao evento.
Serra voltou a defender a realização de prévias em seu partido para definição do nome que concorrerá. Atualmente, são quatro pré-candidatos: os secretarios estaduais José Aníbal (Energia), Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente) e o deputado federal Ricardo Tripoli.
"A prévia no PSDB tem quatro candidatos, está marcada a  prévia. Vamos para as prévias porque senão desmobiliza o partido, desmobiliza a militância", afirmou José Serra.
Nesta quinta, o diretório municipal do PSDB decidiu realizar debates entre os pré-candidatos, que devem ser realizados entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro.